
Felipe Nasr entrou definitivamente para a elite do automobilismo ao conquistar um histórico tricampeonato nas 24 Horas de Daytona neste domingo (25). A tradicional corrida de alta resistência abre a temporada de 2026 do IMSA WeatherTech SportsCar Championship.
Pelo terceiro ano consecutivo, Nasr triunfou na classe principal (GTP) com o Porsche nº 7, desta vez cruzando a linha de chegada um segundo e meio à frente de Jack Aitken no Cadillac nº 31 da Whelen, numa batalha emocionante especialmente nos momentos derradeiros da prova de 24 horas e 705 voltas (4.031,5 km de corrida).
O maior desafio de Nasr surgiu a 22 minutos do fim da maratona, quando Aitken aproximou-se e emparelhou com o brasileiro no percurso interno. Mas o campeão manteve o sangue tão frio quanto o clima e segurou a liderança.
Mais do que uma vitória, ele celebrou um raro feito histórico ao se tornar o terceiro piloto nos 64 anos de existência do evento a conquistar três vitórias seguidas, se juntando ao também brasileiro Helio Castroneves e ao americano Peter Gregg no restrito grupo de tricampeões da prova.
O resultado confirmou uma expectativa de vitória que já era esperada: o brasileiro havia marcado o melhor tempo geral durante as sessões de teste do “Roar Before the Rolex 24”, que antecede a corrida, com a marca de 1:36.327 no icônico Daytona International Speedway.
Do início ao fim
No início da corrida, na tarde de sábado, coube a Nasr assumir o cockpit do carro na largada, partindo do terceiro lugar na 64ª edição da prova. Em meio ao caos, com acidentes no pelotão inicial, o piloto precisou usar de toda a habilidade para assumir o segundo lugar e, logo em seguida a ponta, realizando duas ultrapassagens importantes e entregando posteriormente o carro ainda na liderança para Julien Andlauer.
O ex-piloto de F1 também foi responsável pelo controle do Porsche nº 7 nas duas últimas horas de corrida, com atuação fundamental rumo à vitória, garantindo o triunfo para o trio do # 7, completado por Laurin Heinrich.
Um sonho realizado

Emocionado, Felipe Nasr considerou que a terceira vitória significou “o melhor momento da carreira até agora”. “Ganhar três vezes seguidas em Daytona é algo que eu sonhei desde quando comecei no endurance, e conseguir isso, com esse time incrível e com a Porsche, é pura recompensa. Nos últimos 20 minutos eu sabia que a pressão ia vir, então tinha que manter a cabeça fria e confiar no carro. Quando vi a bandeira quadriculada, bateu uma emoção grande, porque a gente trabalhou muito para isso”, destacou
60 anos do Team Penske

A vitória aconteceu justamente no ano em que o Team Penske celebra seu 60º aniversário de fundação, um jeito perfeito de começar as festividades.
O dono da equipe, Roger Penske, destacou que vencer em Daytona foi “a maneira perfeita de começar nossa temporada de 60 anos”.
“Esse sucesso consistente só é alcançado com um ótimo trabalho em equipe, pilotos focados e determinados, uma equipe resiliente e um compromisso com a vitória. Também quero parabenizar a Porsche Motorsport pelo excelente início de seu 75º aniversário em 2026, enquanto continuamos a construir juntos nosso legado de vitórias”, completou o empresário.
O Porsche nº 7 conseguiu o feito extra de celebrar outras duas vitórias dentro da própria corrida. A primeira foi a edição inaugural do Prêmio IMSA Michelin de Sustentabilidade em Corridas, que mede o uso de pneus, o consumo de energia e a posição de chegada para determinar a maior pontuação de sustentabilidade na classe GTP.
Além disso, foi o carro da classe GTP com a melhor pontuação na Michelin Endurance Cup, que concede pontos nas marcas de 6, 12, 18 e 24 horas. O carro nº 7 terminou em primeiro lugar em todos os quatro momentos que distribuem pontos.
Legado brasileiro

Após conquistar seu histórico tricampeonato consecutivo nas
24 Horas de Daytona, Felipe
descreveu ainda o esforço extenuante para entregar seu melhor resultado ao time. “Deixei tudo na pista, cada gota de suor e força e, acima de tudo, meu coração – porque era muito importante trazer este triunfo para casa para meus companheiros e nossa equipe”, destacou.
Em se tratando de provas de longa duração do IMSA, o brasileiro ressaltou ainda que o nível da corrida na categoria GTP está cada vez mais alto e, consequentemente, a cada temporada cresce também o desafio.
Além de reforçar a presença verde e amarela no endurance internacional, Nasr hoje se firma como um dos principais símbolos mundiais do automobilismo em provas de endurance.
O piloto fez questão de agradecer o apoio da torcida brasileira e de seus patrocinadores, dedicando a vitória a todos que o acompanharam.
Nas redes sociais e fóruns especializados, torcedores brasileiros e fãs de endurance exaltaram especialmente o momento final da corrida como uma “aula de defesa de posição”, chegando até a comparar Nasr a um ‘piloto de outro planeta’ pela frieza nos últimos minutos.







